Acordo Brasil-Canadá em saúde será discutido em Brasília

Telessaúde será uma das áreas de atuação do acordo firmado pelos ministros da saúde dos dois países

01.06.2009
Vanessa Portes


Estação Digital Médica na Feira Hospitalar de 2003

Acontecem nessa semana em Brasília debates sobre o acordo Brasil-Canadá na área de saúde, firmado no dia 19 de maio pelos ministros da Saúde do Canadá e do Brasil, Leona Aglukkaq e José Gomes Temporão, respectivamente. Entre as pautas de discussão, está o uso da Telessaúde em ambos países.

O objetivo do memorando de entendimento é trabalhar em áreas essenciais como: telessaúde, prontidão e reação nos casos de pandemias, equidade e cuidados da saúde das populações indígenas, recursos humanos, regulação de produtos, atenção primária à saúde, comunicação de riscos e controle de tabaco. Além disso, o acordo prevê o intercâmbio de cientistas, clínicos e outros profissionais da saúde entre o Canadá e o Brasil.

Segundo o Ministro Temporão, a expectativa é que a aproximação permita a troca de experiências. Ele afirma que o acordo se justifica já que ambos os países possuem um sistema de saúde que cobre toda a população e enfrentam desafios similares, como a saúde indígena e a cobertura de saúde em áreas remotas.

A ampliação das atividades de Telemedicina e Telessaúde no Brasil vem se fortalecendo desde 2002, período em que foi criado o Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde (CBTMs) e estruturaram-se núcleos acadêmicos universitários de Telessaúde no País. “Em decorrência das infraestruturas montadas, da quantidade de pesquisadores envolvidos e das ações implementadas nestes últimos sete anos, o Brasil pode hoje estabelecer diversas atividades conjuntas como as especificadas no acordo”, afirma Chao Lung Wen, presidente do CBTMs.

Uma primeira iniciativa de Telessaúde para a formação de uma rede de hospitais com conexão com Unidades Básicas de Saúde (UBS) foi proposta com o projeto Estação Digital Médica, iniciado em 2003. Na época, o objetivo era desenvolver uma rede de Telemedicina para a integração nacional dos serviços de saúde.

Estação Digital Médica na Hospitar: antecipação de tendências futuras

O projeto Estação Digital Médica foi apresentado pela primeira vez em junho de 2003, quando foi lançado na Feira Hospitar em um estande juntamente com a empresa de telecomunicações Telefonica. “Foi um marco importante na evolução da Telemedicina no Brasil, pois mostramos como a tecnologia, associada a modelos educacionais, poderia contribuir para a verticalização e a horizontalização das infra-estruturas de saúde. Hoje isso acontece de forma mais abrangente graças ao avanço deste e de outros projetos na área de Telessaúde”, afirma o presidente do CBTMs.

Durante a Hospitalar 2003, os visitantes puderam conhecer as aplicações práticas da tecnologia em favor da saúde através de videoconferências realizadas no local, conectando instituições nacionais e internacionais nas áreas de microbiologia, enfermagem, moléstias infecciosas e cardiologia. Este foi o primeiro evento que transmitiu, durante uma semana, um programa educacional por videoconferência para a região Amazônica (Rio Branco – Acre).

Outro grande passo para a consolidação da Telemedicina e Telessaúde no País aconteceu em 2005, com a aprovação do Projeto Estação Digital Médica pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que proporcionou a criação do pólo de Telemedicina da Amazônia e o início da estruturação do Programa Nacional de Telessaúde do Ministério da Saúde (MS). Ainda neste ano, houve o lançamento na Estação Digital Médica dos títulos de Emergências Cirúrgicas e Hanseníase do Projeto Homem Virtual; este último uma parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Panamericana de Saúde (OPAS), para a difusão de informações importantes para o controle da doença no país. Hoje o Projeto Homem Virtual é muito utilizado em Teleducação em Saúde no Brasil.

Atualmente o Programa Nacional de Telessaúde está em sua segunda fase e seus objetivos vão de encontro aos propósitos do acordo Brasil-Canadá. O projeto de Telessaúde caracteriza-se pela disponibilização de um computador ligado à internet (Computador da Saúde) nas unidades de saúde ou de atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Com esses computadores, os profissionais de saúde que atuam nessas unidades poderão trocar informações com universidades públicas e instituições de pesquisa, melhorando a saúde nas pequenas cidades brasileiras.

 

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